Revelação da FAFI, talento de 11 anos é aprovado na seleção do Ballet Bolshoi

O dia 20 de março de 2021 marcará para sempre a vida do pequeno Tarcísio Souza Evangelista, de 11 anos

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Tarcísio Souza Evangelista, aluno da FAFI. Foto: Divulgação

Por Renata Zacaroni

O dia 20 de março de 2021 marcará para sempre a vida do pequeno Tarcísio Souza Evangelista, de 11 anos. O talento da Escola Técnica Municipal de Teatro, Dança e Música (FAFI) acaba de ser aprovado na renomada e disputada escola russa de ballet Bolshoi. Agora, é hora de fazer as malas e se mudar para Joinville, Santa Catarina, a única sede da companhia fora da Rússia.

Após passar por duas etapas virtuais, o precoce talento se apresentou para a fase final da seleção, que ocorreu na tarde de sexta-feira 19, de forma presencial. A mãe de Tarcísio, Rosemery Souza Maia, que acompanha o filho na viagem, contou que nem mesmo o período de pandemia foi capaz de impedir que o aluno da FAFI desde abril de 2019 participasse da complexa seleção que vai mudar a sua vida e de toda a família.

Com um longo período de aulas presenciais suspensas na instituição, a formação e o apoio vieram de forma diferente, por meio de aulas virtuais. “A FAFI deu todo o suporte durante esses meses por meio das aulas on-line. As professoras gravavam os vídeos e eles repetiam os movimentos da dança em casa. Algumas vezes, eram realizadas vídeo chamadas e nós fomos orientados para que o treinamento ocorresse nos mesmos dias das aulas normais, que no caso do Tarcísio eram às segundas, quartas e sextas”, detalhou a mãe.

A inscrição e a seletiva

A inscrição para o Bolshoi também ocorreu de forma inusitada. Rosemery inscreveu o filho por conta própria. “Desde que ele começou nós assistíamos a muitos ballets lá em casa, muitos vídeos do Bolshoi. Em outubro do ano passado, quando vi que haviam sido abertas as inscrições, fui lá e fiz”, revelou. Depois de inscrito, a escola enviou um “vídeo modelo”, que deveria ser reproduzido na íntegra e enviado para avaliação. A primeira aprovação veio no último dia 25 de fevereiro. Tarcísio passou pela avaliação física, na qual também foi aprovado. Logo após, foi realizada a parte escrita do processo e a apresentação artística. Foram cinco horas de rigorosas avaliações.

Apoio da família

Em entrevista para a assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Cultura (SEMC), responsável pela administração da FAFI, a mãe revelou que a descoberta do talento de Tarcísio foi feita pelo pai, Ronaldo de Paula Maia. “Nós sempre gostamos de um ambiente onde a música clássica, peças de teatro e espetáculos de ballet eram presentes. Um dia meu esposo percebeu que nosso filho tinha talento, aí então decidimos inscrevê-lo para os primeiros testes”, disse Rosemery. “Após dois meses de audições, ele foi aprovado para o curso da FAFI acompanhado da ex-professora Ligia Araújo”, completou.

Preconceito

Questionada sobre o filho ter sofrido algum preconceito e a presença do pai como o “descobridor” do talento de Tarcísio, a mãe entrega outro aspecto interessante da vida da família. “Na verdade, o Ronaldo (pai) sempre teve vontade de fazer ballet e nunca teve a oportunidade, seja pela época, pelo preconceito ou pela falta de recursos. Hoje estamos muito felizes em poder proporcionar isso ao nosso filho”, entrega orgulhosa, a mãe.

Futuro

Casal e filho único devem se mudar para Santa Catarina. Tarcísio precisará se apresentar no próximo dia 19 de abril para o início das aulas no Bolshoi. A formação completa dura oito anos e Tarcísio, como bailarino em formação, já passa a integrar o corpo de ballet russo. A família está confiante de que os próximos dias na capital serão bem corridos em virtude da mudança.

Cuidados e pandemia

Toda a seletiva, com exceção da etapa final ocorreu de maneira virtual, já as aulas que começam dentro de um mês, ocorrerão no formato tradicional, de forma presencial. O estado de Santa Catarina se encontra atualmente dentro do risco moderado de contágio do coronavírus. “Aqui (na sede da companhia em Santa Catarina), as salas de aula são muito amplas, com capacidade para até 85 alunos. Com o início da pandemia as turmas foram reduzidas para 20 bailarinos, preservando-se um distanciamento de dois metros entre cada um deles. Todos de máscara e usando o álcool em gel”, descreveu Rosemery.

Orgulho da FAFI

Quem também sorri de orelha a orelha é o coordenador do curso de dança da FAFI, professor e bailarino, Nerdin Montenegro Alvarez. “Além do talento do Tarcísio, é claro, essa é a conquista do trabalho sério que fazemos aqui”, disse o coordenador. “Ainda é cedo para falar, mas caso passe, ele será a segunda criança que colocamos dentro dessa escola tão prestigiada no Brasil e no mundo, que é o Bolshoi”, completou o orgulhoso Nerdin.

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