Moradores denunciam irregularidade em loteamento do bairro Costa Bela

Segundo moradores, as obras não cumprem as condicionantes ambientais estabelecidas pelas autoridades

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Foto: Tonico

Por João Caetano Vargas

Moradores do bairro Costa Bela, no município da Serra, denunciaram irregularidades em obras de loteamentos da Imobiliária Universal. Segundo ele, rachaduras e trincas nas paredes das casas vizinhas ao loteamento Capuba Ville, na Grande Jacaraípe, estão entre os problemas apresentados à Comissão de Cidadania da Assembleia Legislativa. O bairro tem cerca de 1.300 habitantes.

“Há anos a Imobiliária vem realizando movimentações nesse terreno de forma descontinuada, com longos intervalos entre uma ação e outra. Dado o início da movimentação na área do loteamento, percebeu-se que a retirada das árvores e a compactação do solo provocada pela movimentação das máquinas estavam promovendo um acúmulo de água em uma parte específica do loteamento e que isso poderia ter impactos indesejáveis”, alertou Adenis Laurete Júnior, morador do bairro.

Ele afirmou que foram enviadas fotos à empresa e que nenhuma providência foi tomada, mesmo tendo sido assegurado aos moradores, desde o início das obras, um canal de comunicação com os residentes da região. De acordo com Adenis, essa ação culminou com a derrubada de um muro, gerando severos danos e transtornos. “No ano passado, em um período de chuvas muito fortes, o muro de uma moradora veio ao chão durante a madrugada e toda água acumulada nessa parte mais baixa do terreno, localizada exatamente atrás desse muro, invadiu a sua residência e alagou a rua, chegando a invadir outras residências”, relatou.

Outra queixa de quem reside nas proximidades é que o aterramento realizado na área ultrapassou a altura dos muros das residências em seu entorno. Os moradores se queixam da poeira causada pela ação e, principalmente, da insegurança gerada, já que isso facilitaria a invasão das residências por parte de ladrões. Reclamam ainda da falta de um sistema de drenagem e de muros de arrimo na obra. Os moradores também afirmam que a ação das máquinas pesadas da empresa na região vem causando rachaduras e trincas nas paredes das casas no entorno.

Falta de diálogo

A moradora Daniele Curty reclamou da falta de retorno a respeito das demandas: “A gente busca diálogo há mais de um ano. Nós temos ofícios enviados tanto para a Imobiliária, quanto para a prefeitura e não tivemos resposta sobre o projeto. Nós temos ali uma importante Área de Preservação Ambiental (APA), que foi catalogada pela Ufes, onde a gente encontra uma fauna e uma flora extensas”. Segundo Daniele, a Prefeitura da Serra já encaminhou fiscais para acompanhar a execução das obras e foi constatado que a empresa não vem cumprindo diversas condicionantes ambientais estabelecidas.

O outro lado

Representante da Imobiliária Universal, Juliana Botelho afirmou que a empresa tem mantido diálogo com a Associação de moradores do bairro. No entanto, segundo ela, as pessoas impactadas pela obra não se sentem representadas por essa Associação e exigem um canal direto de diálogo entre a construtora e os impactados diretamente pelo empreendimento. “Já marcamos, a pedido deles, num sábado, lá no loteamento – o dia foi determinado por eles, inclusive – para que a gente vá ao local com nossa equipe de conciliação e engenharia e faça um apanhado de quais são as queixas, quais são os prejuízos, quais são as inconsistências que existem, para que sejam tratadas. E qualquer tipo de dano que ficar comprovado que é um reflexo de obra nossa, temos total abertura de identificar e total interesse de resolver e sanar isso”, assegurou.

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