Contorno do Mestre Álvaro só será inaugurado em 2023

A informação é do prefeito Sérgio Vidigal, que credita o atraso à demora de repasses feitas pelo governo federal, responsável pela execução

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Foto: Divulgação

Como já era esperado, não passou de promessa política do presidente Jair Bolsonaro, em ano eleitoral, e bem explorada por políticos capixabas, agora frustrados, a entrega das obras da rodovia do Contorno do Mestre Álvaro, na Serra, que foi adiada para agosto de 2023, e que será inaugurada pelo novo presidente que assume naquele ano. A informação é do prefeito Sérgio Vidigal, que credita o atraso à demora de repasses feitas pelo governo federal, responsável pela execução.

A nova data é o terceiro adiamento da inauguração do trecho, cujos trabalhos de terraplanagem e desapropriação de terreno começaram em 2019. Segundo Vidigal, faltarão R$ 90 milhões para a obra ser concluída no ano que vem, caso os recursos em 2022 sejam efetivamente entregues. A obra já deveria ter sido entregue há quatro anos.

“A obra foi executada em 54%, sendo 80% de terraplanagem e 60% de estabilização do solo. As estruturas estão prontas, inclusive para receber os viadutos. Só estão faltando os recursos. Já foram utilizados R$ 240 milhões, num valor atualizado do contrato de R$ 450 milhões. Este ano, estão previstos a serem destinados R$ 40 milhões de emendas da bancada federal, R$ 30 milhões relativo ao orçamento da União e mais R$ 80 milhões da chamada emenda de relator”, apontou.

O prefeito afirmou que os valores vindos da União deveriam ser maiores, a fim de que o ritmo no canteiro de obras fosse mais acelerado. “A maior parte dos recursos veio de emendas da bancada, se comparadas com as do governo federal”, apontou. Por nota, a Prefeitura da Serra reforçou o que disse Vidigal. Informou que “o atraso da intervenção ocorreu por falta de recursos orçamentários do Governo Federal. Para este ano, estão previstos recursos da ordem de R$ 150 milhões e, para 2023, outros R$ 90 milhões. Nesse contexto, a obra está prevista para ser finalizada em agosto do próximo ano”.

Pavimentação será feita com concreto

O prefeito disse ainda que foi feita uma mudança no projeto original e que pode também influenciar na data de entrega da via. A pavimentação será feita com concreto, em vez do tradicional asfalto: “O concreto tem durabilidade maior, além de representar mais segurança viária pois adere melhor aos pneus dos veículos”, comparou. Para a aplicação desse material, ele explica que a empresa responsável aguarda uma autorização do Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) para instalação de uma usina de concretagem no local.

Diminuição da distância entre Serra e Cariacica em 15 quilômetros

O Contorno do Mestre Álvaro irá oferecer ao motorista um desvio na rodovia BR 101, indo do km 240, no trevo de descida da ponte do Bagaço, até o km 275, na altura do Condomínio Alphaville Jacuhy. Ao todo, terá uma extensão medindo 19 quilômetros de pista dupla. Serão sete interseções em dois níveis, com viadutos que estão sendo construídos. O contorno irá diminuir a distância entre os municípios de Serra e Cariacica em 15 quilômetros, servindo como alternativa para o tráfego de veículos pesados. Vidigal lamenta que os trabalhos do governo federal não estejam dentro das expectativas da população. “É um projeto bastante aguardado pela Serra, porque essa nova alternativa viária significaria que 55 mil veículos deixariam de passar pela BR-101, principalmente veículos pesados, representando mais segurança para motoristas e moradores. A Polícia Rodoviária Federal já classificou a BR-101, entre Laranjeiras e Carapina, como o trecho mais perigoso do Espírito Santo”, comentou.

Promessa desde 2008

Se for considerada a apresentação inicial do projeto do Contorno do Mestre Álvaro (segundo o prefeito, elaborado pela própria Prefeitura da Serra), a espera pela obra já dura 14 anos. A prefeitura lançou o projeto em 2008. De acordo com Vidigal, o governo do Estado requisitou o projeto em 2010. Depois, foi repassado para o governo federal, por meio do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). A ideia era que a obra fosse executada antes da privatização do trecho da BR-101 no Espírito Santo, em 2013, o que não ocorreu. “A partir de 2014, no mandato da presidente Dilma, o contrato foi assinado, mas fiscalizações de órgãos de controle e a questão das desapropriações dos terrenos, mais a espera de licenciamento ambiental na área, terminaram por modificar o calendário das obras”, relembra Vidigal. Os trabalhos foram iniciados em 2019, já na gestão do presidente Jair Bolsonaro, mas o ritmo das obras tem sido lento, devido aos poucos recursos destinados pela União. Assim, a conclusão, que seria para 2021, foi adiada para 2022 e, mais uma vez, foi alterada para agosto de 2023.

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