Tunico da Vila lança música e videoclipe contra o racismo e o negacionismo

A música foi gravada no Rio de Janeiro, com arranjos de Jota Moraes, Boris e beats do DJ Ajax. Já o videoclipe foi filmado em Queimados, na Serra, um dos raros sítios históricos de memória negra preservados no país

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Tunico da Vila e a rapper capixaba Mary Jane. Foto: Divulgação

Tunico da Vila juntou-se ao rapper mineiro Djonga e a rapper capixaba Mary Jane para cantarem juntos suas indignações sobre o racismo explícito e o genocídio na pandemia. O novo single do sambista “Fogo no Racista” e o videoclipe serão lançados pela Sony Music, no dia 10, à meia-noite, em todos os aplicativos de música e no canal do Youtube do artista. O samba acompanhado de rap retrata o clamor dos protestos nas ruas pelo Brasil contra o negacionismo diante das 570 mil mortes na pandemia.

A música foi gravada no Rio de Janeiro, com arranjos de Jota Moraes, Boris e beats do DJ Ajax. Já o videoclipe foi filmado em Queimados, na Serra, um dos raros sítios históricos de memória negra preservados no país. O clipe também apresenta o monumento gigante do herói negro Chico Prego, que comandou a luta pela liberdade em Queimados. Segundo Tunico, o local foi escolhido para lembrar que desde 1849 até hoje, a luta do povo negro para não morrer pelo racismo não acabou.

Na letra da parte do samba, Tunico da Vila cantou: “o negacionismo é malignidade, a fome tá comendo, chega de sofrimento, se liga aí descolonize o pensamento” e “pretas e pretos na universidade, isso é fogo no racista”, a expressão é utilizada pelo movimento antirracismo e faz referência ao racismo estrutural presente no Brasil.

“O sambista precisa estar do lado do povo, e o silêncio musical de muitos artistas do samba me incomoda, tirando o meu pai, Martinho da Vila, e a Teresa Cristina, pra mim não dá, não foi assim que aprendi, quem é do samba não pode deixar de gritar junto com o povo. Quando teve golpe, na ditadura, os sambistas retrataram cantando o que o povo estava passando com os militares. Eu chamei o Djonga, que é de terreiro como eu e está indignado, e a Mary Djane, que é uma mulher preta consciente do seu papel, se tiver que juntar com outros irmãos musicais de outros segmentos, não vejo problema, só não pode ser negacionista, aí pra mim não dá, vim de uma casa politizada. O samba é negro, de terreiro e veio do gueto, são de lá os que estão mais sofrendo”, falou Tunico da Vila.

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