Onde ela quiser: Barreiros faz homenagem a mulheres negras no Sambão do Povo

A inspiração para o enredo veio da obra "Njinga, Rainha de Angola", um filme biográfico angolano realizado por Sérgio Graciano e escrito por Joana Jorge

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A vermelho e branco de São Cristóvão, Unidos de Barreiros, abriu os desfiles do Carnaval de Vitória 2022

Por Brunella França
Da rainha guerreira Nzinga, de Angola, à cantora Elza Soares. A vermelho e branco de São Cristóvão, Unidos de Barreiros, abriu os desfiles do Carnaval de Vitória 2022 defendendo o enredo “Nzinga, rainhas, guerreiras, negras”. Todos os detalhes, ao vivo, foram transmitidos pelo Facebook e pelo Youtube da Prefeitura de Vitória.

E para prestigiar o início do carnaval, Sandro Avelar, presidente da Império Serrano (RJ), está no Sambão do Povo acompanhando de perto o trabalho das agremiações capixabas, que neste primeiro dia iniciou os trabalhos com a presença de aproximadamente 700 pessoas assistindo ao desfile.

Viajamos por grandes civilizações, como o Egito, falamos sobre a rainha de Sabá até chegar ao Brasil, contando a história de Elza Soares, de Ruth de Souza e outras grandes mulheres, como tia Ciata“, destacou o autor do enredo, Douglas Palluzzo.

A inspiração para o enredo veio da obra “Njinga, Rainha de Angola”, um filme biográfico angolano realizado por Sérgio Graciano e escrito por Joana Jorge, contando a história da rainha negra Nzinga Mbandi, uma mulher guerreira, que lutou contra os portugueses e o combateu do tráfico de seres humanos.

A expectativa da agremiação para a abertura das notas dos julgadores é subir para o grupo de Acesso A no Carnaval de Vitória de 2023. “A gente veio pra ganhar cantando a força das mulheres”, garantiu o coreógrafo Ricardo Carvalho.

O desfile
A comissão de frente toda composta por mulheres, coreografada por Ricardo Carvalho, entrou na passarela do samba com a missão de representar a ancestralidade das grandes guerreiras que protegeram e lutaram por suas tribos e etnias. Logo em seguida, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marlon Lamar e Tainá Teixeira, veio trazendo a realeza de Matamba, que posteriormente se tornou Angola.

O reino de Matamba, aliás, inspirou o abre-alas da escola. A reverência à África tomou conta de todo o primeiro setor do desfile da Barreiros. A rainha de bateria, Fernanda Marangoni, trajava uma fantasia batizada de “Mãe África“, enquanto os componentes da Bateria Furacão, comandada por mestre Igor Nonato, representava a força africana. E o ensaio técnico surtiu efeito: bateria entrou no recuo sem deixar brecha na evolução da escola na avenida.

A força das mulheres
Entre outras personalidades históricas trazidas no enredo da Unidos de Barreiros, estavam a rainha de Sabá, da Etiópia, e Nefertiti, rainha da XVIII dinastia do Antigo Egito. Já caminhando para encerrar seu desfile, apareceram no Sambão do Povo Winnie Bueno, mulher que lutou contra o apartheid social na Índia; Tia Ciata, mãe de santo de Oxum e doceira que está ligada ao nascimento do samba no Brasil; a atriz Ruth de Souza, uma das grandes damas da dramaturgia brasileira; Elza Soares, uma das maiores vozes da música e que nos deixou este ano; e a capixaba Maria Helena Pereira, presidente do instituto Mão na Massa e que faleceu no enfrentamento à covid-19.

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