Nosso dinheiro não é lixo!

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Se já foi absurda a aprovação do aumento de recursos para o tal Fundo Eleitoral, de R$ 2 bilhões para R$ 5,7 bilhões, mais absurda ainda foram as atitudes de oito dos 13 integrantes da Bancada Capixaba no Congresso Nacional, votando a favor desta excrescência, que nada mais é do que o governo federal repassar essa dinheirama toda, oriunda dos nossos suados impostos (também absurdos neste país), para que políticos banquem suas campanhas eleitorais, em que novamente tentarão convencer o eleitorado de que irão trabalhar pelo “bem do povo”. Me engana que eu… Detesto!

Os oito ‘engraçadinhos’ que apoiaram esta imoralidade são: No Senado, Rose de Freitas (MDB); e na Câmara, Amaro Neto (Republicanos), Da Vitória (Cidadania), Lauriete (PSC), Soraya Manato (PSL), Evair de Melo (PP), Norma Ayub (DEM) e Ted Conti (PSB). Pouco estão ligando se vivemos um momento de pandemia, com estabelecimentos comerciais fechados, setor de eventos paralisado, povo passando fome, inflação desenfreada, aumento exagerado dos preços dos combustíveis, falta de empregos etc.

Ressalto que os contrários, que agiram com bom senso e respeito à população, foram os senadores Fabiano Contarato (Rede) e Marcos do Val (Podemos); e os deputados Felipe Rigoni (sem partido), Helder Salomão (PT) e Neucimar Fraga (PSD).

Para os políticos que votaram a favor do aumento de recursos para esse imoral Fundo, do qual se espera o veto do presidente Jair Bolsonaro (outro que também pouco liga para o bem-estar da população. Em 2019, ele fez movimento semelhante, mas depois recuou), o único interesse é tentar voltar para Brasília, onde desfrutam de todas as mordomias possíveis, bancada com o nosso dinheiro, que não é lixo.

Vamos aos números da mordomia na cidade que considero o “câncer da Nação e que foi muito bem retratada no final do filme Tropa de Elite”: Em 2021, na legislatura, os gastos de TODOS OS DEPUTADOS FEDERAIS com cota SOMARAM, pasmem, R$ 81.008.665,05 (oitenta e um bilhões, Meu Deus!). Fora o que cada um deles recebe por mês, cada deputado tem R$ 111.675,59 mensais para pagar salários de até 25 secretários parlamentares, que trabalham para o mandato em Brasília ou nos estados. Eles são contratados diretamente pelos deputados, com salários de R$ 1.025,12 a R$ 15.698,32. Encargos trabalhistas como 13º, férias e auxílio-alimentação dos secretários parlamentares não são cobertos pela verba de gabinete – são pagos com recursos da Câmara. Isso somou, de janeiro a junho deste ano, R$ 320.744.442,25 para os 513 parlamentares.

Achou pouco? Os deputados federais têm ainda direito a receber um auxílio-moradia no valor de R$ 4.253,00 quando não ocupam um dos 432 apartamentos funcionais que a Câmara tem em Brasília. O auxílio-moradia pode ser pago diretamente em dinheiro, com desconto do Imposto de Renda na fonte; ou por reembolso, mediante a apresentação de recibo de aluguel ou hotel. O reembolso é isento de Imposto de Renda. Isso somou, para os 513 felizardos, R$ 3.586.798,06 no período.

Querem mais? O salário atual de um deputado federal é R$ 33.763,00. A remuneração mensal leva em conta o comparecimento às sessões deliberativas do Plenário. Ausência não justificada leva a desconto no salário. O deputado tem direito a receber diárias quando viaja em missão oficial. Nas viagens nacionais, o valor é de R$ 524,00. Nas viagens internacionais, o valor da diária é de US$ 391,00 para países da América do Sul, e de US$ 428,00 para outros países. O gasto com as viagens oficiais, em seis meses de 2021, totalizam R$ 92.786,52;

Que maravilha. F…-se o povo e vamos votar pelo aumento do Fundão! Temos que retornar com os nossos mandatos. Afinal, cada um de nós custa anualmente, para a Nação, ‘apenas’ R$ 2.187.510,60.

O autor é jornalista profissional há 45 anos

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