Bares e restaurantes: tendência de recuperação, apesar da crise sanitária

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Pela primeira vez na pandemia, o número de estabelecimentos que tiveram lucro foi maior do que o dos que realizaram prejuízo, diz Rodrigo Vervloet, presidente da seccional capixaba da Abrasel e do Sindicato de Bares, Restaurantes e Similares (SindBares). Foto: Divulgação

Os casos de influenza e covid trouxeram dor de cabeça aos empresários de alimentação fora do lar em um momento de alta no faturamento. Levantamento realizado em janeiro com mais de 1.300 empresários em todo o Brasil apontou que 76% dos estabelecimentos contabilizaram pelo menos um afastamento de funcionários contaminados por um destes dois vírus nos 30 dias anteriores à pesquisa (realizada entre 15 e 27 de janeiro). E, em média, quase um em cada quatro funcionários (24% da força de trabalho) foi afastado por covid neste período.

“Justamente em um período de alta procura de bares e restaurantes fomos pegos por estes afastamentos, que trouxeram muito transtorno. É uma força de trabalho que tem de ser coberta e isso pressiona mais os custos de um setor já muito endividado. No entanto, temos também o que comemorar, como a recuperação gradual do faturamento”, afirma Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel.

Rodrigo Vervloet, presidente da seccional capixaba da Abrasel e do Sindicato de Bares, Restaurantes e Similares (SindBares), aponta que muitos empresários do setor tiveram de recorrer aos contratos intermitentes para suprir a demanda de mão de obra. “Há uma preocupação em relação aos prejuízos, já que a necessidade extra de profissionais onera a operação de bares e restaurantes”, avalia.

Recuperação em vista

A tendência de recuperação do setor fica clara na comparação com a série histórica. Pela primeira vez desde o começo da pandemia, há mais estabelecimentos que apontaram ter obtido lucro (34%) do que os que disseram ter realizado prejuízo (31%) no período de um mês – outros 34% ficaram em equilíbrio. Para se ter uma ideia, esse indicador teve seu pior momento em março de 2021, quando 82% sinalizaram estar operando com prejuízo.

O resultado de dezembro também foi melhor que o do mesmo período de 2020: dois terços (66%) tiveram faturamento maior no fim de 2021 em comparação com o ano anterior. Já em relação a novembro de 2021, houve crescimento para 59% das empresas. No acumulado do ano, no entanto, há uma nota de preocupação: 45% dos empresários disseram ter ficado no prejuízo em 2021.

As dificuldades do último ano são traduzidas pelo alto endividamento. Os empréstimos via Pronampe, por exemplo, foram tomados por 51% das empresas. Destas, 20% (uma em cada cinco) já têm ao menos uma parcela em atraso – a alta da Selic, indexador do programa, fez com que os juros para quem tomou o empréstimo tivessem um aumento brutal. Tanto que 22% das empresas com empréstimos do Pronampe dizem correr risco de quebrar em função deste aumento.

Outro ponto de atenção para os bares e restaurantes são as dúvidas em relação a medidas envolvendo o Simples Nacional. Após o veto ao Relp (programa de renegociação das dívidas do Simples), e a extensão do prazo para se manter no regime fiscal, há agora a expectativa da derrubada do veto no Congresso. Enquanto isso, 48% das empresas que estão no Simples (e que, por sua vez, representam 90% dos respondentes) declararam ter parcelas em atraso. Destas, 32% já têm parcelas inscritas em dívida ativa da união e podem parcelar os débitos com os programas instituídos em janeiro.

“Nosso setor tem sofrido muito desde o início da pandemia e ainda sentimos os reflexos das restrições de funcionamento e, agora, estamos lidando com a exigência de passaporte sanitário que impacta na logística de atendimento ao cliente. Sem falar na inflação altíssima e o endividamento dos empresários que também afetam a recuperação desses negócios e retomados da economia”, avalia Rodrigo Vervloet.

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